Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana
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Curitiba, 20 de outubro de 2020.
 
Uninter: façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço!

O Centro Universitário Internacional – Uninter tem, a exemplo de outras universidades privadas de Curitiba e Região, protagonizado diversas demissões de professores e professoras nas últimas semanas, assim como reduções significativas na carga horária e na remuneração de seus docentes.

Pensando em minimizar o prejuízo destes trabalhadores, o Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes) solicitou uma audiência com representantes da instituição no Ministério Público do Trabalho (MPT).

A audiência seria realizada nesta terça-feira dia 21/07. Entretanto, dando de ombros ao problema social que ela mesmo criou e contrariando o discurso político de seu proprietário Wilson Pickler, que prega o diálogo e a relação harmônica entre os atores do teatro social,  a instituição de ensino superior simplesmente recusou reunir-se com o Sinpes, declinando  da mediação do Ministério Público. Em consequência a reunião foi cancelada.

As demissões no Uninter vêm acontecendo de maneira recorrente desde meados de 2019. Acentuaram-se em plena pandemia da Covid-19. No dia 07 de julho o Sinpes realizou reunião online com professoras e professores da instituição. Nela, os docentes revelaram o quadro de aflição vivido no centro universitário: multiplicam-se demissões; educadores são submetidos a pressão psicológica por parte de seus superiores hierárquicos e cargas horárias sofrem cortes lineares em muitos cursos.

Embora a contrarreforma trabalhista tenha expressamente afastado qualquer direito dos trabalhadores em caso de despedida coletiva, subsiste a tese de que deve ser garantido aos demitidos nessas circunstâncias, uma indenização estabelecida em negociação coletiva ou judicialmente arbitrada com base em preceitos constitucionais, conforme decidido pelo Tribunal Superior do Trabalho no paradigmático caso da Embraer.

O Sinpes pretende que o Ministério Público do Trabalho pelo menos exija que o Uninter revele a quantidade real de professoras e professores que foram demitidos agora não mais como mediador mas como fiscal da lei, definindo-se assim se houve ou não despedida coletiva.

Além disso, o Sinpes pretende aliar-se aos estudantes do centro universitário que, assim como os docentes, são profundamente prejudicados pelas demissões em face da precarização do ensino daí decorrente. Os estudantes de outras duas grandes universidades (Unicuritiba e Universidade Positivo) têm protagonizado importantes manifestações e conseguido significativas vitórias contra a precarização do ensino dispensada a eles.

O sindicato entrou em contato com a Assessoria do Uninter para pedir uma nota de esclarecimento sobre os fatos trazidos nesta matéria. Mas não recebeu resposta.