Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana
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Curitiba, 18 de maio de 2021.
 
Uma Resposta a Ricardo Barros

26/04/2021

O Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (SINPES) vem a público repudiar, de maneira contundente, as declarações infelizes e ofensivas contra os professores, emitidas pelo deputado federal Ricardo Barros, líder do Governo Bolsonaro na Câmara, durante a entrevista concedida na manhã de 20 de abril de 2021, ao jornal da CNN, onde disse entre outras coisas:

“Infelizmente, o Brasil foi abduzido pelas corporações. Não tem nenhuma razão para o professor não estar dando aula. O profissional de saúde está indo trabalhar, o profissional do transporte está indo trabalhar, o profissional da segurança está indo trabalhar, o pessoal do comércio está indo trabalhar, só professor que não quer trabalhar… O Brasil é o segundo país do mundo que não voltou às aulas, que não teve aula na pandemia. A média, na Europa, do período sem aula foi de 70 dias no ano passado… É absurdo a forma como estamos permitindo que os professores causem tantos danos às nossas crianças na continuidade da sua formação. O professor não quer se modernizar, não quer se atualizar. Essa que é a verdade…” (entrevista:https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/04/20/nao-ha-intencao-do-governo-em-furar-teto-de-gastos-diz-ricardo-barros) a fala do deputado sobre a educação e os professores tem início aos 11 minutos da entrevista.

Quem é Ricardo Barros?

O novo líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, vice-líder do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara em 2007, e Ministro da Saúde no Governo de Michel Temer, em 2016. Entra governo, sai governo e Barros não desgruda do poder.

Segundo publicação da Folha de São Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/novo-lider-de-bolsonaro-e-investigado-por-supostas-irregularidades-na-saude-e-no-parana.shtml), o deputado já foi alvo de, pelo menos, 12 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo gestões suas à frente da Prefeitura de Maringá (1989-1993) e do Ministério da Saúde (2016-2018).

Mais recentemente (setembro de 2020), o parlamentar foi acusado pelo Ministério Público do Paraná – MP (resultado de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Gaeco) de receber R$ 5 milhões em propina para intermediar negócios ligados à Companhia Paranaense de Energia (Copel), conforme publicação encontrada no endereço eletrônico (https://veja.abril.com.br/politica/a-acusacao-de-suborno-que-paira-sobre-o-lider-do-governo-na-camara/): “Na manhã de quarta-feira (16/09/2020), o Ministério Público do Paraná (MP-PR) cumpriu um mandado de busca e apreensão no escritório de Ricardo Barros, em Maringá, no norte do Paraná. Os investigadores dizem ter em mãos trocas de mensagens que não deixam dúvidas sobre a natureza do negócio em que ele estava metido. Ricardo Barros teria usado sua influência na Copel, a companhia energética do Paraná, para viabilizar a compra de uma usina eólica da Galvão Participações por 148 milhões de reais — um excelente negócio para a empreiteira. Em troca, de acordo com o MP, teria recebido exatos 5,08 milhões de reais em propina — 1,5 milhão de reais em dinheiro, pagos em cinco parcelas, e o restante, 3,58 milhões de reais, camuflado como doação eleitoral ao Partido Progressista (PP).”

A acusação leviana e agressiva de Barros contra os Professores

Barros acusa os professores de não desejarem o retorno às aulas presenciais. Não sabemos, exatamente, de onde ele tem essa informação. Mas, ele elenca várias outras categorias socioprofissionais que estariam trabalhando normalmente, como “o profissional de saúde”, “o profissional do transporte”, “o profissional da segurança” e “o pessoal do comércio”, enquanto os professores se recusam a trabalhar.

Vale lembrar, inicialmente, que a situação sanitária caótica em que o Brasil se encontra, com quase 400 mil mortos pelo coronavírus é, em grande medida, responsabilidade do governo federal que tem Ricardo Barros como líder. As palavras ofensivas de Barros se revelam, assim, um subterfúgio para tirar o governo federal do centro das atenções nacionais, no momento em que é investigado por má gestão da pandemia do COVID-19 e de responsabilidade no quadro de calamidade pública nacional.

Quanto às acusações de Barros aos professores, é preciso esclarecer que:

  • os “profissionais da saúde” já foram todos vacinados e imunizados;
  • os “profissionais da segurança”, os “profissionais do transporte” e o “pessoal do comércio” não podem exercer suas atividades de modo remoto e estão sendo lançados aos lobos pelo governo cujo líder é Ricardo Barros;
  • os professores continuam trabalhando em casa, não pararam um dia sequer desde o início da pandemia; não existem “dias sem aulas” como pretende o deputado.
  • “O trabalho dos professores foi dos mais afetados pelas imposições de isolamento social devido à pandemia. Foram colocados novos desafios, como organizar espaço em casa para preparar aulas e materiais (livros, cadernos, computador, utilitários a serem utilizados no ensino etc.). A rotina diária teve que ser reorganizada, reservado horário para planejamento, conhecimento dos aplicativos, tecnologia e preparo de aulas online e estudo, atividades acrescentadas às exigências familiares e domésticas.” (https://contee.org.br/pesquisa-indica-que-trabalho-remoto-aumentou-carga-horaria/#:~:text=O%20trabalho%20em%20casa%20tornou,Bureau%20Nacional%20de%20Pesquisa%20Econ%C3%B4mica)
  • além de continuarem trabalhando com mais intensidade e enfrentando novos desafios, os professores acabaram incorporando uma série de custos adicionais às suas tarefas pela necessidade de aquisição e manutenção de equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária para o teletrabalho, ressarcidas apenas parcialmente por raríssimas instituições de ensino (na base territorial do Sinpes apenas a Uninter);
  • muitos professores tiveram de se adaptar, da noite para o dia, às videoaulas e aos inúmeros aplicativos educacionais com que, subitamente, se defrontaram.

Por tudo isso, o SINPES não reconhece a autoridade moral e repudia as declarações insanas e agressivas do deputado Ricardo Barros contra os professores e pretende organizar uma campanha de valorização da profissão do professor, no afã de minimizar acusações insanas como essas!

O Sinpes entrou em contato com a Assessoria do deputado Ricardo Barros pedindo uma resposta sobre os fatos trazidos nestes texto. Mas não obtivemos retorno.