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23/06/2026
A autora, que por enquanto prefere não se identificar, atualmente é professora e ocupa função em importante curso da UNIENSINO – Centro Universitário de Ensino e Tecnologia do Paraná, antigamente denominada Faculdade Anchieta.
Quando lia sobre burnout e ambientes de trabalho tóxicos, acreditava que aquelas páginas descreviam outra vida — não a minha. Confesso que ostentava uma confiança quase teimosa: pensava que a dedicação, o rigor e a paixão pelo ensino criariam uma bolha protetora contra tais vicissitudes. Ser competente – presumia – era sinônimo de invulnerabilidade.
Hoje sei o quanto me enganava e escrevo este texto como uma forma de desabafo que certamente será útil a centenas de professores que sofrem ou sofreram essa situação.
A hostilidade não chegou em forma de ruptura dramática. Veio sub-repticiamente disfarçada em pequenas decisões, em frases sussurradas, em orientações impostas por mensagem, em silêncios que pesavam mais que qualquer palavra. Uma série de detalhes cotidianos que, somados, corroeram a confiança que eu mesma depositava no meu trabalho, soterrada por uma avalanche de microviolências: ordens que calavam iniciativas, promessas que evaporavam e omissão diante de condutas que feriam outras pessoas.
O choque foi, primeiro, cognitivo! Não conseguia encaixar a narrativa que eu conhecia sobre mim mesma — professora íntegra, comprometida, cuidadosa — com a imagem de alguém que sofre perseguições e invisibilizações. Havia um obstinado autoengano: se eu era capaz, aquilo não podia acontecer comigo.
Quando a realidade bateu à porta, trouxe consigo uma sensação de estranhamento e traição. Era como ler um capítulo de um livro sombrio e perceber que, afinal, eu era a personagem principal que sucumbiria no fim!
Reconhecer o sofrimento foi, paradoxalmente, libertador e devastador. Libertador porque me permitiu nomear o que estava acontecendo! Devastador porque calou em mim uma dor pungente!
Percebi que não se trata de fraqueza pessoal nem de incapacidade profissional, mas de um ambiente que sistematicamente desvaloriza, apaga e submete. A violência que sofri teve a graciosidade perversa de ser discreta: não deixou marcas fáceis de provar, mas deixou uma impressão difícil de suportar.
Diante de todos os relatos apresentados constato que me encontro em processo de quiet quitting (demissão silenciosa) e que, atualmente, estou sendo constrangida a superar esse limite para formular “demissão ativa”. O trabalho tem se tornado cada vez mais difícil porque as diretrizes mudam sem comunicação adequada. Sequer sou informada sobre as novas regras que se sucedem dentro do ambiente organizacional.
Quando existe interesse em punição qualquer erro se transforma em motivo para responsabilizar a vítima desse processo de fritura. Essa evidencia-se de sorte a demonstrar que que não se trata de incompetência, mas sim de uma perseguição descarada e desmedida.
Os diversos atravessamentos que ocorrem diariamente mostram que não consigo ter controle adequado sobre os processos devido ao número incontável de interferências de todos os partícipes dessa incomensurável pressão.
Na semana nos dias 16, 17 e 18 de junho de 2026 observei com tristeza os demais profissionais recebendo suas grades horárias e conversando sobre as organizações para o próximo semestre, enquanto eu, que até então imaginava ser uma profissional qualificada e de destaque, era descartada e desrespeitada, destinatária de recadinhos e deboches atravessados.
Sigo então forçando minha capacidade física e mental para cumprir com meus compromissos profissionais, sem ser incluída em qualquer planejamento ou conversa sobre o futuro do trabalho a que tanto me dedico.
Resisto diuturnamente à perseguição descarada de que sou vítima permanente e ao ambiente tóxico voltado para me induzir a pedir demissão. A falta de apuração de responsabilidades reais, o descaso com os alunos e com os debates para apurar quem realmente errou e a imposição constante de suposta culpa recai sobre mim mesmo quando não houve erro. E tal ocorre inclusive com a formalização de punições em forma de advertências que não observam qualquer patamar de razoabilidade ou de bom senso.
Nesse contexto, o trabalho se tornou moralmente insustentável, inclusive com cobranças públicas acerca de falhas imaginárias sem qualquer investigação adequada. Tornei-me alvo fácil de uma perseguição sistemática completamente desarrazoada. Essa situação tem me causado um sofrimento profundo pois sinto que meu valor não está sendo reconhecido, apesar de toda a minha qualificação, dedicação e esforço. Em suma, tem sido cada vez mais difícil continuar forçando minha capacidade física e mental sem ser reconhecida como parte integrante da equipe.
Pugnei pelo diálogo acerca dos problemas que diuturna e artificiosamente me envolvem, tendo sido olimpicamente ignorada. Destaco que não ser incluída de forma respeitosa nas decisões que afetam meu trabalho e meu futuro profissional em uma instituição de ensino superior em que me dediquei de corpo e alma por 20 anos acarreta-me sensação que ainda não sei delimitar verbalmente.
Sou uma profissional qualificada, dedicada e comprometida com minha função, de sorte que me provoca profunda indignação e tristeza ver-me compelida a provocar a judicialização de tantas agruras.
O SINPES entrou em contato com o Uniensino pedindo um posicionamento diante das denúncias trazidas neste texto. A instituição respondeu por meio da nota que segue:
“Em atenção aos questionamentos apresentados, a UNIENSINO esclarece que repudia de forma expressa e inequívoca qualquer prática de assédio moral, bullying, discriminação, constrangimento ou outra conduta que comprometa a dignidade da pessoa humana, o respeito mútuo e a adequada convivência no ambiente acadêmico e profissional.
A Instituição mantém o compromisso de promover um ambiente saudável, ético, seguro e respeitoso para docentes, acadêmicos, colaboradores administrativos e demais integrantes de sua comunidade.
A UNIENSINO dispõe de normativos internos, diretrizes institucionais e canais formais destinados ao recebimento, registro, acolhimento e encaminhamento de relatos relacionados a condutas incompatíveis com seus princípios institucionais.
A comunidade acadêmica pode buscar orientação e encaminhamento por meio das coordenações, direção, setores administrativos competentes, Ouvidoria institucional e do Núcleo de Atendimento Psicológico e Pedagógico – NAPP, conforme a natureza da situação apresentada.
Essas instâncias têm por finalidade acolher as demandas recebidas, orientar os envolvidos e encaminhar as situações que demandem análise, acompanhamento ou adoção de providências institucionais.
A UNIENSINO mantém atuação permanente de prevenção, orientação, apuração e enfrentamento de comportamentos incompatíveis com seus valores institucionais. Toda manifestação recebida é tratada com seriedade, responsabilidade e imparcialidade, observadas as particularidades do caso concreto.
Quando há elementos suficientes para análise, a Instituição promove os encaminhamentos cabíveis, que podem envolver orientação, mediação, acompanhamento pelas áreas responsáveis, solicitação de esclarecimentos, análise administrativa e adoção das medidas pertinentes, conforme os fatos apurados.
A UNIENSINO não admite qualquer forma de retaliação, prejuízo ou tratamento discriminatório contra pessoa que, de boa-fé, apresente relato, colabore com eventual apuração ou figure como testemunha em procedimento relacionado a tais situações.
Ressalta-se, contudo, que a adequada apuração exige a apresentação de elementos mínimos que permitam a identificação objetiva dos fatos, tais como período de ocorrência, pessoas envolvidas, circunstâncias, eventuais testemunhas e documentos ou registros disponíveis. A existência de denúncia ou relato, por si só, não implica reconhecimento automático de responsabilidade, sendo indispensável a análise individualizada e imparcial de cada situação.
Por razões de confidencialidade, preservação da intimidade dos envolvidos e proteção de dados pessoais, a UNIENSINO não divulga informações, documentos ou procedimentos específicos relacionados a alunos, docentes, colaboradores ou terceiros.
Dessa forma, a UNIENSINO reafirma seu compromisso de receber e analisar, com a devida seriedade e responsabilidade, toda comunicação formalmente apresentada, adotando as providências compatíveis com os elementos efetivamente apurados.
Atenciosamente, UNIENSINO”.
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