Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana
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Curitiba, 17 de outubro de 2021.
 
PUC obriga docentes a voltar para as salas de aula, ignorando grupos de risco e a não conclusão da vacinação dos estudantes

O Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana – SINPES recebeu denúncia no sentido de que a PUCPR pretende aumentar a quantidade de aulas presenciais até o mês de outubro, exigindo o comparecimento até mesmo de professores e professoras integrantes de grupos de risco. A maioria dos professores/as já recebeu a segunda dose do imunizante, porém, entre alunos e alunas a vacinação apenas começou.

Em documento repassado ao Sinpes, enviado aos alunos/as por e-mail, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC) informa o aumento das atividades presenciais a partir do mês de outubro.

Conforme o comunicado “as aulas permanecerão no modelo Hyflex implementado em 2021, porém, com maior número de atividades presenciais no campus. Nos próximos dias, a Universidade fará uma consulta com os estudantes sobre as perspectivas de um retorno presencial e é importante que todos manifestem também suas considerações sobre o aumento das atividades presenciais com seus professores e coordenadores de curso… os estudantes que não estiverem à vontade ou se sentirem inseguros com o retorno da presencialidade não serão obrigados a participar das aulas no campus e não sofrerão qualquer penalidade.”

O modelo de retorno segue a sistemática já adotada por outras instituições de ensino superior sob veementes protestos do Sinpes. Trata-se de um único peso e duas medidas diferentes. Em relação aos alunos/as a PUCPR demonstra sensibilidade para com a natural insegurança daqueles que pertencem a grupos de risco ou que ainda não receberam a segunda dose de imunização. O mesmo não acontece com os professores/as, que não serão ouvidos nem terão garantia de opção que não seja retornar ao trabalho presencial, quer se sintam seguros ou não.

O Sinpes questiona por que as aulas presenciais devem voltar agora, quando restam menos de 40 dias úteis para o término do semestre letivo? O Brasil ainda vive a pandemia e nem 40% de sua população foi vacinada com as duas doses. Entre a população imunizada apenas uma vez está a grande maioria dos estudantes. Segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil de 2020 quase 60% dos estudantes de nível superior tem entre 19 e 24 anos. Essa faixa etária ainda não terá recebido a segunda dose da vacina no início de outubro. Isso quer significar risco significativo e desnecessário para professores/as e alunos/as. As consequências materiais e jurídicas desse comportamento discriminatório são evidentes, devendo a PUCPR ser responsabilizada pelas consequências decorrentes de eventual disseminação da doença no ambiente acadêmico entre docentes e auxiliares de administração escolar.

O Sinpes reforça sua posição, enfatizada exaustivamente ao longo de toda a pandemia, de que professores e alunos devem voltar às salas de aula apenas depois da segunda dose da vacina e passado o período de imunização completa, já que mesmos os vacinados com duas doses não se encontram definitivamente livres da doença e de suas terríveis consequências.

O Sinpes entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da PUC PR pedindo esclarecimentos sobre os fatos trazidos neste texto. Mas não obteve resposta.