Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana
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Curitiba, 10 de maio de 2021.
 
“Para quem trabalha na Positivo há duas certezas: Uma é que um dia vai morrer e a outra é que um dia vai ser demitido”, diz docente

A Universidade Positivo demitiu, na manhã do dia 01/03, três docentes do curso de Pedagogia. As informações são do professor Luciano Blasius que foi um dos desligados na manhã do primeiro dia letivo de 2021. Ele foi despedido apenas 15 minutos antes da aula inaugural do curso. “Fizeram uma reunião comigo às 8h45, apenas 15 minutos antes da aula inaugural. Depois de todo o planejamento do semestre, de definir todo o calendário de aulas e provas fui desligado”, contou.

Além de Blasius, foram demitidas mais duas professoras, ambas desligadas em reuniões que se deram a cada 15 minutos, a primeira às 8h15 e a segunda às 8h30. Segundo o professor Luciano, agora sete professores integram o curso de Pedagogia da UP, destes apenas três são pedagogos. Os demitidos no dia 01/03 eram os únicos pós-doutores em Pedagogia na Positivo. “Ficaram outros profissionais qualificados, mas com mestrado e doutorado em outras áreas. Além disso, eu lecionava também no curso de Educação Física e a coordenação de lá também não sabia da minha demissão”, revela o docente.

Luciano Blasius lecionou na Universidade Positivo durante quatro anos. Como os outros docentes presenciou de perto os prejuízos trazidos pela Cruzeiro do Sul Educacional que é dona da UP desde o final de 2019. Blasius resume bem o que é ser professor hoje na instituição comandada pelo grupo paulista “para quem trabalha na Positivo há duas certezas: Uma é que um dia vamos morrer e a outra é que um dia seremos demitidos”.

Desmonte

No dia 16 de julho de 2020 a Universidade Positivo promoveu, por meio de reuniões que aconteceram de 10 em 10 minutos, a demissões de centenas de professores e professoras. Na época, os desligamentos se deram nos cursos de Biologia, Design, Direito, Educação Física, Engenharia, Publicidade e Propaganda, Psicologia, Medicina e Relações Internacionais. Na ocasião, perderam emprego docentes tanto de cursos presenciais quanto de EAD. Além disso, a UP fechou ao menos sete cursos presenciais.

Depois das demissões, os estudantes da universidade se mobilizaram pedindo um basta no sucateamento da qualidade do ensino oferecido pela UP. Ao mesmo tempo, o Sinpes realizou reuniões e assembleias com professores na tentativa de formular uma proposta de acordo compensatório a ser encaminhada para os representantes da Positivo. Depois de muitas negociações, e diante da contraproposta apresentada pela UP, os docentes aprovaram, por meio de votação, a abertura de uma Ação Trabalhista Coletiva.

Em 11/12/2020 mais uma vez a Positivo demitiu professores.  Segundo informações encaminhadas ao sindicato, na ocasião perderam o emprego quatro docentes de Ciências Contábeis, quatro de Direito, quatro de Engenharia da Computação, um de Fotografia, quatro de Engenharia de Produção, um do curso de Jornalismo, um de Relações Internacionais, cinco de Psicologia, dois de Publicidade e Propaganda e dois de Medicina.

Comprada pela Cruzeiro do Sul Educacional em dezembro de 2019, quando à época tinha cerca de 1.600 empregados e 33 mil alunos, a Universidade Positivo projeta hoje a sombra da mercantilização do ensino promovida por grandes conglomerados educacionais. As mudanças, aos poucos implementadas na universidade pelo grupo, que hoje é o quinto maior da educação privada no país, têm se refletido em constantes demissões, em redução de carga horária de professores e no fortalecimento da modalidade de Ensino a Distância.

O Sinpes entrou em contato com a Universidade Positivo pedindo uma nota de esclarecimento sobre os fatos trazidos nesta matéria. Mas não recebeu resposta.