Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana
Portal do SINPES.
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Curitiba, 26 de setembro de 2020.
 
O cinismo de quem faz a defesa da classe trabalhadora, mas pratica os absurdos da reforma trabalhista

 

Entre os donos do Centro Universitário do Brasil – Unibrasil, cinicamente se ouve discurso reiterado contra as reformas trabalhistas dos golpistas e fascistas que assaltaram o poder no Brasil. A falta de coerência entre o discurso e a prática é flagrante, já que essa instituição de ensino superior tem se destacado por impor aos seus trabalhadores abusos e sofrimentos utilizando-se desses novos instrumentos jurídicos colocados à disposição da classe patronal.

Os docentes do Unibrasil têm sofrido as consequências da reforma trabalhista e da crescente precarização das relações de trabalho no seu cotidiano.

Para achatar salários e ter mais lucros, sistematicamente são demitidos professores/as mais antigos, com 10, 13, 15, 18 anos de trabalho e comprometidos com a formação e ensino dos alunos.

Essas demissões, nos últimos dois anos, totalizam dezenas de professores/as e de auxiliares de administração escolar, que são substituídos por novos, contratados ganhando salários significativamente inferiores ao que recebiam os trabalhadores desligados.

Não por acaso, o UniBrasil começou com um prédio/bloco alugado, e hoje são 8 prédios/blocos, auditório, etc. além de ter comprado o enorme terreno onde está localizada. Quem gerou o lucro necessário para acumular esse patrimônio? Esses trabalhadores que agora estão sendo descartados como bagaço.

Não bastassem as demissões, muitos professores têm perdido suas aulas porque o Unibrasil tem adotado o ensino a distância, mais uma forma de tirar direitos dos trabalhadores e sucatear o ensino.

A fusão e a extinção de disciplinas suprimem/reduzem as aulas dos professores que têm seus salários mitigados, em especial aquelas disciplinas mais críticas, ao arrepio das diversas convenções coletivas assinadas entre o SINPES e o SINEPE que não contemplam alterações curriculares como hipótese de redução de carga horária legítima do professor.

A “escola sem partido”, recentemente rejeitada no âmbito da assembleia legislativa do Estado do Paraná desde há muito faz parte da dura realidade da comunidade acadêmica do Unibrasil. Reiteradamente as disciplinas mais críticas são fundidas, extintas ou ofertadas a distância, esvaziando-se o debate e a reflexão entre os alunos e docentes.

Embora nenhum professor do Unibrasil tenha optado pela oposição ao pagamento da contribuição negocial ajustada na convenção coletiva de trabalho 2018/2020 depois de aprovada em assembleia geral da categoria, os dirigentes dessa instituição de ensino superior deliberadamente deixaram de descontar o valor devido dos salários dos docentes e consequentemente de repassá-lo aos cofres da entidade sindical. Ao adotar essa conduta antissindical alia-se ao que existe de mais retrógrado no empresariado nacional, que pretende sufocar economicamente a organização coletiva dos trabalhadores para poder amealhar mais lucros impunemente.

Em suma a “defesa da classe trabalhadora” não passa de mera figura retórica. O Unibrasil explora seus empregados aproveitando-se das regras da reforma trabalhista para não submeter o conteúdo de suas rescisões aos SINDICATOS DOS TRABALHADORES demitindo reiteradamente seus trabalhadores mais preparados para lucrar mais e mais.

Diretoria do Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana – Sinpes.

 

*Charge: Vitor Teixeira