Balanços de universidades mostram lucros milionários e SINPES convoca para Assembleia para mobilizar professores por um reajuste condigno

Sinpes
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Os balanços financeiros divulgados pelas maiores universidades privadas de Curitiba e Região mostram que crise parece ser coisa que só existe na mesa de negociação. O lucro cresceu, as matrículas avançaram, as mensalidades vêm sendo reajustadas religiosamente e novas unidades continuam sendo abertas. Paralelamente, essas empresas implementaram, nos últimos anos, uma ambiciosa reforma de seus projetos pedagógicos associada a um plano de vigoroso enxugamento de seus quadros docentes com visível e comprovada deterioração da qualidade do ensino universitário.

Dinheiro, portanto, não falta. Chegou a hora de reconhecer o trabalho de quem sustenta os lucros das universidades: os professores. E de direcionar parte dos lucros para a preservação da qualidade que ainda resta ao ensino de terceiro grau.

O Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana – SINPES, convoca professores e estudantes para participar da Assembleia Geral online que vai debater medidas de mobilização contra a inércia patronal.

O Sindicato defende a recomposição integral da inflação medida pelo INPC entre março de 2025 e fevereiro de 2026 – 3,36% – mais reposição dos 6,22% que deixaram de ser incorporados aos salários há mais de cinco anos.

Participe da Assembleia

Dia: 08/10/2026  Hora: 17h Link de acesso: https://l1nq.com/8KMQMGK

Senha: 739153   ID: 839 1169 9963

Balanços financeiros e relatórios de sustentabilidade de grandes instituições de ensino superior que atuam em Curitiba e Região Metropolitana revelam um cenário de forte expansão econômica em parte do setor educacional privado. Enquanto professores reivindicam a recomposição de perdas salariais acumuladas e a recuperação do poder de compra surrupiado há mais de cinco anos, os documentos analisados pelo SINPES mostram crescimento de receitas, lucros e superávits em grupos como Cruzeiro do Sul, Vitru, Ânima, Uninter e Grupo Marista.

Entre os resultados mais expressivos está o da Vitru Educação, grupo que controla marcas como UniCesumar e Uniasselvi. No primeiro semestre de 2025, a empresa registrou receita de aproximadamente R$ 1,15 bilhão e lucro líquido ajustado de R$ 245,2 milhões, crescimento de 75,6% em relação ao mesmo período de 2024.

Outro resultado relevante aparece no Grupo Cruzeiro do Sul. Mantenedor da Universidade Positivo e da FAPI (PINHAIS). A receita líquida passou de R$ 2,297 bilhões em 2023 para R$ 2,568 bilhões em 2024, crescimento de 11,8%. O lucro líquido, por sua vez, saltou de R$ 100 milhões para R$ 144 milhões no mesmo intervalo — uma alta de 43,7% em apenas um ano.

Na Uninter, instituição com forte atuação no ensino a distância, os resultados também avançaram. As demonstrações financeiras referentes a 2024 apontam receita líquida de R$ 725 milhões e lucro líquido de R$ 131 milhões. O EBITDA chegou a R$ 183,8 milhões, com margem de 25,4%. Na comparação com o ano anterior, a receita cresceu 11,3%, o EBITDA aumentou 21,4% e o lucro líquido avançou 25,4%.

O Grupo Ânima, que reúne instituições como o UniCuritiba e o UniSociesc, também apresentou uma recuperação significativa de seus resultados. A receita líquida passou de R$ 2,827 bilhões em 2023 para R$ 2,906 bilhões em 2024 com crescimento de 2,8%. O dado mais relevante, porém, está no resultado final: a empresa saiu de um déficit de R$ 111 milhões em 2023, decorrente, segundo informações colhidas pelo SINPES, do investimento feito com a aquisição de diversas instituições de ensino, para um lucro de R$ 155 milhões em 2024. A melhora no resultado foi de aproximadamente R$ 266 milhões.

Dentro do grupo, o ensino digital apresentou crescimento ainda mais acentuado. A receita da área passou de R$ 196 milhões em 2023 para R$ 218 milhões em 2024, enquanto o lucro subiu de R$ 39 milhões para R$ 67 milhões — aproximadamente 70% de crescimento.

Os números do Grupo Marista, mantenedor da PUC-PR, também chamam atenção. Como instituição filantrópica, o resultado é eufemisticamente apresentado como superávit e não como lucro. Segundo os relatórios de sustentabilidade analisados, o valor econômico gerado pelo grupo passou de R$ 1,193 bilhão em 2022 para R$ 3,352 bilhões em 2025. No mesmo período, a diferença entre as receitas e despesas saltou de R$ 61,3 milhões para R$ 181,8 milhões.

O crescimento acumulado do superávit entre 2022 e 2025 foi de 196,8%. Em outras palavras, o resultado positivo do grupo praticamente triplicou em três anos. A receita, por sua vez, cresceu 181% no período, segundo os dados compilados no relatório.

O avanço financeiro ocorreu paralelamente à expansão do número de estudantes. A PUC-PR passou de aproximadamente 39 mil matrículas em 2022 para mais de 48 mil em 2025, crescimento de 23,08%. No entanto, no mesmo intervalo, o número de professores caiu de 1.506 para 1.254.

A relação entre crescimento econômico, produtividade e valorização dos trabalhadores é justamente um dos pontos colocados pelo SINPES. O sindicato questiona como resultados cada vez maiores estão sendo repartidos entre as instituições e os profissionais responsáveis pela atividade educacional.

O conjunto dos balanços apresenta uma contradição que está no centro da campanha salarial dos professores: enquanto empresas e instituições registram crescimento de receitas, lucros, superávits e eficiência operacional, os docentes reivindicam a recuperação de perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos.

Para o SINPES, os números desmontam a ideia de que a recomposição salarial seria necessariamente incompatível com a situação financeira das instituições. A discussão passa, portanto, a ser também sobre a destinação dos resultados produzidos pelo trabalho dos professores e demais trabalhadores da educação.

É a partir desse cenário que o sindicato convoca tanto professores, quanto estudantes do ensino superior para participarem de Assembleia Geral Virtual no dia 08/10/2026 às 17h. Link de acesso: https://l1nq.com/8KMQMGK – Senha: 739153 –  ID: 839 1169 9963

Outro lado: O SINPES entrou em contato com as instituições de ensino mencionadas nesta matéria para solicitar um posicionamento sobre os fatos relatados neste texto. No entanto, apenas a PUCPR manifestou-se.

Segue a nota encaminhada pela PUCPR:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Ao Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana –

SINPES

Prezados,

A PUCPR agradece a oportunidade de apresentar informações que contribuem para uma compreensão mais ampla do contexto institucional relacionado às questões trazidas. A Universidade reconhece que relações institucionais consistentes são construídas com diálogo transparente, respeito mútuo e confiança. É essa compreensão que tem orientado e fortalecido a relação da PUCPR com seus professores e com as entidades que os representam, em um processo contínuo de construção de confiança e soluções compartilhadas.

Entre os pontos apresentados, os indicadores econômicos merecem uma contextualização importante. As informações consolidadas constantes dos Relatórios de Sustentabilidade do Grupo Marista de 2022 e de 2025 não se restringem à PUCPR, mas contemplam o conjunto das frentes de missão que integram o Grupo Marista, incluindo o Corporativo, a FTD Educação, o Complexo de Saúde e a própria Universidade. Além disso, os dois relatórios refletem momentos institucionais distintos e, por isso, seus indicadores devem ser analisados considerando as alterações no escopo de consolidação dos dados ocorridas no período.

Quando observados sob a perspectiva da Associação Paranaense de Cultura (APC), mantenedora da PUCPR e das frentes de saúde, os indicadores revelam um cenário mais abrangente. Entre 2022 e 2025, a Remuneração do Trabalho passou de R$ 497,6 milhões para R$ 653,9 milhões, crescimento de 31,4%, percentual alinhado à evolução de 32,6% do Valor Econômico a Distribuir, que passou de R$ 626,3 milhões para R$ 830,8 milhões. Os números mostram que a evolução das atividades da Instituição foi acompanhada por investimentos relevantes na remuneração de suas equipes.

A leitura do resultado financeiro também deve considerar esse cenário mais amplo. No período, o superávit da mantenedora permaneceu estável, passando de R$ 61,3 milhões, em 2022, para R$ 60,0 milhões, em 2025. Esse desempenho reflete, entre outros fatores, a ampliação dos descontos concedidos aos estudantes, que são o principal componente das Despesas Financeiras que passaram de R$ 60 milhões para R$ 124 milhões, reforçando o compromisso da Instituição com sua missão comunitária.

Sob a mesma perspectiva, a evolução do quadro docente acompanha a dinâmica própria da atividade acadêmica e o planejamento institucional voltado à sustentabilidade e à qualidade do ensino. Revisões de matrizes curriculares, aperfeiçoamentos dos projetos pedagógicos e readequações da distribuição da carga horária, inclusive aumentando a quantidade de docentes ente 32 e 40 horas/semanais, fazem parte do processo contínuo de atualização da Universidade e da busca permanente pela excelência acadêmica.

Esse mesmo compromisso com a qualidade acadêmica se reflete na relação construída com seus professores. A PUCPR pauta sua atuação pelo respeito à legislação e às normas coletivas vigentes, participando das negociações por meio das entidades representativas e reconhecendo o diálogo como instrumento essencial para a construção de soluções equilibradas e duradouras. Esse processo de diálogo resultou no mais recente Acordo Coletivo de Trabalho, que incorporou avanços relevantes para os docentes da PUCPR, entre eles:

• ampliação e reafirmação das garantias aplicáveis aos docentes hipersuficientes;

• redução do prazo dos contratos por prazo determinado para até seis meses;

• priorização dos docentes da PUCPR nos processos seletivos internos;

• licença remunerada, mediante anuência da Universidade, com garantia de retorno na

mesma carga horária anteriormente exercida e garantia provisória de emprego por um

semestre;

• estabelecimento de limite para redução de carga horária;

• majoração do adicional por quinquênio para 20%;

• manutenção do semestre letivo em dezoito semanas;

• pagamento do recreio, prática adotada voluntariamente pela PUCPR e antes mesmo da

definição da matéria pelo Supremo Tribunal Federal; e

• ampliação das possibilidades de atuação em projetos de pós-graduação, cursos livres e

atividades extraordinárias.

A esse conjunto de avanços somam-se iniciativas adotadas diretamente pela própria Universidade, como a concessão de vale-refeição aos docentes com carga horária igual ou superior a nove horas semanais, benefício implementado por iniciativa institucional da PUCPR, que representa um investimento aproximado de R$ 600 mil reais mensais.

A valorização do corpo docente não se traduz em uma única medida. Ela é construída de forma contínua, por meio de uma política que integra remuneração, ampliação de direitos, benefícios institucionais, desenvolvimento profissional, investimentos nas condições de trabalho e diálogo permanente. Essa visão orienta as decisões da Universidade e sustenta seu compromisso com a excelência acadêmica e com a construção de um ambiente universitário cada vez mais qualificado.

Atenciosamente, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

Confira no link abaixo a análise que o SINPES fez nos balanços financeiros das maiores universidades de Curitiba e Região Metropolitana:

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