Neste dia do Professor e da Professora, o Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana – SINPES convida ao reconhecimento da importância de quem dedica a vida à formação de pessoas e à construção de uma sociedade mais justa. E homenagear os docentes vai muito além de palavras de agradecimento: exige compromisso concreto com a valorização profissional, condições dignas de trabalho, salários justos e respeito aos direitos conquistados historicamente pela classe trabalhadora.
Em Curitiba e Região Metropolitana, esse compromisso precisa se traduzir em medidas concretas, especialmente diante dos resultados financeiros de grandes instituições de ensino superior que registram crescimento econômico expressivo nos últimos anos.
Balanços financeiros e relatórios de sustentabilidade analisados pelo SINPES e publicados na última edição do Jornal Didático revelam avanços significativos nas receitas, nos lucros e nos superávits de grupos educacionais privados. Há casos em que o lucro líquido ajustado alcançou R$ 245,2 milhões apenas no primeiro semestre de 2025, com crescimento de 75,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Assim como instituições que registraram aumento no lucro líquido de 43,7% entre 2023 e 2024, passando de R$ 100 milhões para R$ 144 milhões. Todavia, enquanto parte significativa do setor educacional apresenta crescimento de receitas e resultados financeiros, os docentes continuam com o chapéu na mão, reivindicando a recomposição de perdas salariais acumuladas e a recuperação do poder de compra corroído ao longo dos últimos anos.
A discussão sobre a valorização do magistério passa, necessariamente, pela defesa de um reajuste condigno, capaz de recompor o poder de compra dos salários e reconhecer a relevância social do trabalho docente. Não basta exaltar os professores em datas comemorativas enquanto sua remuneração perde valor, suas jornadas se intensificam e suas condições de trabalho se deterioram. A valorização precisa aparecer na remuneração, no respeito às negociações coletivas, na manutenção dos direitos e no compromisso efetivo das instituições de ensino com seus profissionais.
Importante frisar que a luta por dignidade profissional não se restringe aos salários. O fim da escala 6×1 – aprovada em vitória histórica dos trabalhadores na noite desta quarta-feira (14) – a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e a manutenção dos direitos trabalhistas são pautas fundamentais para quem acredita que a vida não pode se resumir ao trabalho. Todos os trabalhadores precisam de tempo para a família, o descanso, o lazer, a cultura e a participação na vida política e social. Defender melhores condições de trabalho significa também combater a precarização, impedir retrocessos e fortalecer a organização sindical.
Nesse contexto, o segundo turno das eleições presidenciais tem papel decisivo. As escolhas feitas nas urnas influenciam diretamente o futuro dos direitos sociais, das políticas públicas, do financiamento da educação e das condições de vida da população. É fundamental que os trabalhadores conheçam os projetos em disputa e avaliem os compromissos dos candidatos com a democracia, a liberdade de organização sindical, a educação e a proteção dos direitos conquistados. Não se trata apenas de escolher o Presidente da República, mas de decidir quais projetos de sociedade terão prioridade: aqueles que ampliam a proteção social e promovem a distribuição de oportunidades ou aqueles que colocam em risco conquistas históricas da classe trabalhadora primando pela concentração de renda.
A defesa da democracia não se limita ao voto. Pressupõe respeito às instituições, à diversidade de ideias, à liberdade de expressão, à organização coletiva e à participação popular. É também nas escolas e universidades que esses valores são construídos e fortalecidos diariamente. A educação tem papel essencial na formação de cidadãos críticos, capazes de compreender a realidade, questionar desigualdades e participar das decisões que afetam suas vidas. Por isso, defender a educação e seus profissionais é também defender a própria democracia.
Neste Dia dos Professores, o SINPES reafirma sua luta pela valorização incondicional do magistério. Não há educação de qualidade sem professores respeitados e não há desenvolvimento verdadeiramente justo quando os resultados do trabalho não se traduzem em melhores condições de vida para quem o realiza.
#SINPESASSIM