{"id":4222,"date":"2023-03-08T09:37:01","date_gmt":"2023-03-08T12:37:01","guid":{"rendered":"https:\/\/sinpes.org.br\/site\/?p=4222"},"modified":"2023-03-08T09:46:37","modified_gmt":"2023-03-08T12:46:37","slug":"dia-internacional-da-mulher-mulheres-no-ensino-superior-maioria-nas-salas-de-aula-minoria-no-corpo-docente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinpes.org.br\/site\/dia-internacional-da-mulher-mulheres-no-ensino-superior-maioria-nas-salas-de-aula-minoria-no-corpo-docente\/","title":{"rendered":"Dia Internacional das Mulheres &#8211; Mulheres no Ensino Superior: Maioria nas salas de aula, minoria no corpo docente"},"content":{"rendered":"<p><strong>08\/03\/2023<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das mulheres no ensino superior no Brasil come\u00e7ou no final do s\u00e9culo XIX com a matr\u00edcula de Rita Lobato Velho Lopes na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Problemas familiares obrigaram-na a se transferir para Salvador. Seu pai matriculou-a no 2\u00ba ano da Faculdade de Medicina da Bahia, em 1881, onde terminou seu curso com a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201cprimeira mulher diplomada em Medicina no Brasil, 1887\u201d. O acesso e a perman\u00eancia das mulheres neste n\u00edvel de ensino, entretanto, foram sendo ampliados de maneira bastante lenta.<\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo depois e as mulheres s\u00e3o hoje maioria no ensino superior do pa\u00eds. \u00c9 isso que revela a pesquisa \u201cEstat\u00edsticas de G\u00eanero: indicadores sociais das mulheres no Brasil\u201d, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) no primeiro semestre de 2021.<\/p>\n<p>As mulheres brasileiras s\u00e3o mais instru\u00eddas que os homens e com mais acesso ao ensino superior. Por\u00e9m, s\u00e3o minoria entre docentes em institui\u00e7\u00f5es desse tipo de ensino. \u00a0Em 2019, elas eram 46,8% do total de professoras\/es lecionando em cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o quadro \u00e9 o mesmo na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de docentes em especializa\u00e7\u00f5es, mestrados e doutorados mais do que dobrou no Brasil desde 2004. Mas a propor\u00e7\u00e3o de mulheres contratadas para lecionar segue desigual e praticamente estagnada desde ent\u00e3o, apesar de elas serem maioria entre os estudantes tamb\u00e9m nos cursos de p\u00f3s.<\/p>\n<p>De acordo com dados levantados pelo jornal Folha de S\u00e3o Paulo, o pa\u00eds tinha 33,5 mil docentes contratados para atuar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em 2004. As mulheres representavam apenas 4 em cada 10 docentes (37,6% do total). J\u00e1 em 2019, conforme o levantamento, as mulheres eram 49% dos 69 mil docentes. Em 2004, mais da metade entre mestrandos e doutorandos do pa\u00eds eram mulheres (52%). Em 2019 elas representavam 54,5%.<\/p>\n<p><strong>Mas, porque as mulheres, mesmo sendo maioria nas salas de aulas de faculdades e universidades do pa\u00eds, ainda s\u00e3o minoria no corpo docente de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior? <\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cIsso acontece porque as mulheres s\u00e3o prejudicadas em processos de sele\u00e7\u00e3o, justamente por serem m\u00e3es, chefes de fam\u00edlia. V\u00e1rios elementos dificultam sua contrata\u00e7\u00e3o e eles t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com gesta\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a maternidade, vi\u00e9s impl\u00edcito (de que o brilhantismo \u00e9 apenas masculino), estere\u00f3tipos de g\u00eanero, entre outros\u201d. \u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 isso que destaca Fernanda Stanicuaski, Bi\u00f3loga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e fundadora do <em>Parent in Science<\/em>, movimento que se iniciou com o intuito de levantar a discuss\u00e3o sobre o impacto dos filhos na carreira cient\u00edfica de mulheres e homens. Al\u00e9m disso,\u00a0luta pelo direito de incluir o per\u00edodo da\u00a0<a href=\"https:\/\/lunetas.com.br\/licenca-maternidade-conheca-seus-direitos\/\">licen\u00e7a-maternidade<\/a>\u00a0no Curr\u00edculo Lattes, plataforma que funciona como uma vitrine de trabalhos\u00a0j\u00e1 realizados por pesquisadores em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>\u201cA gente precisa de tempo para cuidar dos filhos e de tempo para produzir. A sociedade n\u00e3o aceita que a mulher escolha n\u00e3o ter filhos, mas ao mesmo tempo cr\u00edtica e n\u00e3o d\u00e1 apoio. O que a gente pode fazer sobre determinados assuntos \u00e9 mostrar o impacto da maternidade na \u00e1rea cient\u00edfica\u201d<\/em>, relata a\u00a0bi\u00f3loga em entrevista para a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2020. Na ocasi\u00e3o, ela destacou que j\u00e1 perdeu o prazo de um edital, pois estava de licen\u00e7a-maternidade, e disse que a sociedade n\u00e3o est\u00e1 preparada para entender a vida pessoal das mulheres.<\/p>\n<p>Os efeitos dessa disparidade de g\u00eanero se refletem nos resultados de uma pesquisa realizada entre abril e maio de 2020 pelo\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.parentinscience.com\/\">Parent In Science<\/a><\/em>\u00a0com cerca de 15 mil cientistas, entre discentes, p\u00f3s-doutorandos e docentes,\u00a0que responderam um levantamento sobre o impacto da pandemia na produtividade de cientistas no Brasil. Entre os docentes, quase 70% dos homens afirmaram ter conseguido submeter artigos cient\u00edficos\u00a0como o planejado, durante o per\u00edodo de isolamento social. No entanto, este n\u00famero cai para menos de 50% das mulheres.<br \/>\nQuando analisados os dados acima por g\u00eanero e parentalidade, considerando pessoas que conseguiram trabalhar remotamente, constata-se que 36% de homens sem filhos e 32,8% de mulheres na mesma condi\u00e7\u00e3o conseguiram atuar de maneira que consideram satisfat\u00f3ria. Em rela\u00e7\u00e3o aos pais e m\u00e3es, a pesquisa relata que 17,4% dos homens foram bem-sucedidos no trabalho remoto, contra apenas 9,9% das mulheres.<\/p>\n<p>O Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) publicou, nesta semana, o levantamento \u201cAs dificuldades das mulheres chefes de fam\u00edlia no mercado de trabalho\u201d. O estudo mostra, em car\u00e1ter estat\u00edstico, a disparidade entre os rendimentos de homens e mulheres em diversos cen\u00e1rios, incluindo quando um dos dois est\u00e1 na chefia da fam\u00edlia. O resultado reflete a realidade das mulheres quando precisam atuar no mercado de trabalho ao mesmo tempo que assumem a lideran\u00e7a familiar, realidade presente tamb\u00e9m entre as professoras do ensino superior.<\/p>\n<p>Para o Dieese, a partir dos pap\u00e9is atribu\u00eddos a homens e mulheres, negros e negras, desenham-se as desigualdades e as rela\u00e7\u00f5es de poder, seja econ\u00f4mico, sexual ou pol\u00edtico. E o caminho para a mudan\u00e7a passa por refazer pactos, refor\u00e7ar pol\u00edticas transversais de igualdade de g\u00eanero, garantir igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, reduzir a desigualdade econ\u00f4mica e aumentar o n\u00famero de mulheres em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, entre outras a\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso que o pa\u00eds cres\u00e7a e gere renda e emprego de qualidade, mas \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m enfrentar as desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a\/cor e que as mulheres tenham mais voz na sociedade, via negocia\u00e7\u00e3o coletiva e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.abrafi.org.br\/index.php\/site\/noticiasnovo\/ver\/4373\/educacao-superior\">https:\/\/www.abrafi.org.br\/index.php\/site\/noticiasnovo\/ver\/4373\/educacao-superior<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.museudavida.fiocruz.br\/index.php\/noticias\/1488-como-as-maes-cientistas-estao-lidando-com-a-pandemia-durante-a-quarentena\">https:\/\/www.museudavida.fiocruz.br\/index.php\/noticias\/1488-como-as-maes-cientistas-estao-lidando-com-a-pandemia-durante-a-quarentena<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2021\/03\/na-pos-graduacao-mulheres-sao-maioria-entre-estudantes-mas-minoria-entre-docentes.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2021\/03\/na-pos-graduacao-mulheres-sao-maioria-entre-estudantes-mas-minoria-entre-docentes.shtml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimespecial\/2023\/mulheres2023.pdf\">https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimespecial\/2023\/mulheres2023.pdf<\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>08\/03\/2023 A hist\u00f3ria das mulheres no ensino superior no Brasil come\u00e7ou no final do s\u00e9culo XIX com a matr\u00edcula de Rita Lobato Velho Lopes na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 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