{"id":2940,"date":"2020-03-04T15:43:53","date_gmt":"2020-03-04T18:43:53","guid":{"rendered":"https:\/\/sinpes.org.br\/site\/?p=2940"},"modified":"2020-03-04T15:43:53","modified_gmt":"2020-03-04T18:43:53","slug":"os-vendilhoes-da-educacao-que-nao-querem-ensinar-so-arrecadar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinpes.org.br\/site\/os-vendilhoes-da-educacao-que-nao-querem-ensinar-so-arrecadar\/","title":{"rendered":"Os VENDILH\u00d5ES da educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o querem ensinar, s\u00f3 arrecadar"},"content":{"rendered":"<p>Para que servem as institui\u00e7\u00f5es de ensino &#8211;\u00a0 escola, faculdades, universidades?<\/p>\n<p>Para ensinar, por \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Mas quando n\u00e3o s\u00e3o capazes de ensinar, o que fazem?<\/p>\n<p>Embroma\u00e7\u00e3o, panaceias, para enganar alunos e professores.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n<p>Metodologias Ativas &#8211; Algu\u00e9m conhece alguma metodologia de ensino que n\u00e3o seja ativa?<\/p>\n<p>APS &#8211; Atividade Pedag\u00f3gica Supervisionada &#8211; Quando n\u00e3o se consegue ensinar o b\u00e1sico.<\/p>\n<p>PI &#8211; Projeto Integrador &#8211; Integrador do qu\u00ea? Da mediocridade?<\/p>\n<p>Plano de Ensino por Compet\u00eancias &#8211; Que compet\u00eancias? Dos que n\u00e3o s\u00e3o capazes de organizar um processo de aprendizagem para os alunos.<\/p>\n<p>Sala Invertida &#8211; Como se inverter a mediocridade resolvesse.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos do boom de IES&#8217;s privadas, ingressaram alunos brilhantes, alguns doutores e mestres, em busca de uma segunda gradua\u00e7\u00e3o ou de um complemento \u00e0 primeira, e alunos de primeira gradua\u00e7\u00e3o, com boa base de conhecimento e empenhados em dar o melhor de si, etc.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio mudou radicalmente.<\/p>\n<p>Atualmente, os ingressantes fazem um vestibular fake. Mesmo com a reda\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, ingressam no ensino superior privado alunos analfabetos. As provas aplicadas nos vestibulares das IES&#8217;s privadas, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, existem para constar, mas n\u00e3o avaliam nada, at\u00e9 porque esse n\u00e3o \u00e9 o objetivo. Em alguns casos nem prova de ingresso tem.<\/p>\n<p>Recebidos, esses alunos, sem o m\u00ednimo do conhecimento necess\u00e1rio para\u00a0 cursar o ensino superior, s\u00e3o v\u00edtimas, mais uma vez, porque n\u00e3o conseguir\u00e3o aprender.<\/p>\n<p>Como aprender sem o dom\u00ednio dos fundamentos b\u00e1sicos da l\u00edngua?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o sabem ler, n\u00e3o aprendem hist\u00f3ria; se n\u00e3o sabem hist\u00f3ria, n\u00e3o s\u00e3o capazes de compreender e aprender sobre economia, sobre direitos fundamentais, sobre sa\u00fade, sobre o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, etc .<\/p>\n<p>Se n\u00e3o sabem ler, n\u00e3o aprendem filosofia; se n\u00e3o conhecem o b\u00e1sico de filosofia, n\u00e3o sabem o que \u00e9 l\u00f3gica, n\u00e3o s\u00e3o capazes de deduzir, de fazer uma abstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim as mat\u00e9rias e\/ou disciplinas v\u00e3o sendo vomitadas \u2014 esse \u00e9 o termo \u2014 para essas v\u00edtimas, das quais s\u00f3 se quer as mensalidades, pagas em dia, 60% com fundos p\u00fablicos &#8211; Fies, Prouni (n\u00e3o fossem esses fundos estariam falidas h\u00e1 muito tempo).<\/p>\n<p>E os alunos n\u00e3o podem ser reprovados, porque sen\u00e3o abandonam o curso, o que significa perda de receita para a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A doc\u00eancia no ensino superior privado tem sido v\u00edtima desse processo, o que coincide com a mercantiliza\u00e7\u00e3o de diplomas.<\/p>\n<p>Os professores\u00a0 \u2014 nem todos \u2014 s\u00e3o os sujeitos que atrapalham esse neg\u00f3cio da venda de diplomas \u00e0 presta\u00e7\u00e3o. Insistem em exigir dos alunos um aproveitamento\/conhecimento nas avalia\u00e7\u00f5es, que, em sua esmagadora maioria, s\u00e3o incapazes de alcan\u00e7ar, pois n\u00e3o t\u00eam as habilidades cognitivas m\u00ednimas para aprender o que se espera que aprendam.<\/p>\n<p>Os professores, principalmente os mais jovens, que tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas dessa precariza\u00e7\u00e3o do ensino, em sua maioria s\u00e3o incapazes de entender que n\u00e3o est\u00e3o ensinando, mas sim contribuindo para essa l\u00e1stima em que se transformou o ensino superior privado.<\/p>\n<p>Vivemos um per\u00edodo de esvaziamento intelectual.<\/p>\n<p>Os professores sofrem tamb\u00e9m com as condi\u00e7\u00f5es de trabalho a que est\u00e3o submetidos, de remunera\u00e7\u00e3o aviltante; s\u00e3o cobrados e pressionados para fazerem pesquisas, criar grupos de estudos, porque essas atividades contam pontos, nas avalia\u00e7\u00f5es que o MEC faz das IES&#8217;s, mas n\u00e3o s\u00e3o remunerados por essas atividades.<\/p>\n<p>Dada a precariedade dos ingressantes, os professores s\u00e3o pressionados a n\u00e3o exigir muito dos alunos, s\u00e3o orientados a fazer as avalia\u00e7\u00f5es em duplas, em grupos, com consulta, etc. N\u00e3o serem rigorosos com a quest\u00e3o da frequ\u00eancia, afinal os alunos trabalham, e \u00e9 desse trabalho que ganham para pagar a mensalidade, que paga o sal\u00e1rio do professor, etc, etc , etc.<\/p>\n<p>A\u00ed aparecem as panaceias para mascarar esse quadro. Os modismos, adotados, a cada tempo, para dar uma sensa\u00e7\u00e3o de movimento, de inova\u00e7\u00e3o, etc., mas que n\u00e3o mudam nada, n\u00e3o resolvem nada.<\/p>\n<p>O aluno concluiu o curso, mas n\u00e3o aprendeu, n\u00e3o consegue transformar o diploma em empregabilidade efetiva, em melhorias na sua renda.<\/p>\n<p>Essa frustra\u00e7\u00e3o se volta com vigor contra a institui\u00e7\u00e3o de ensino e sua credibilidade, reduzindo drasticamente a possibilidade do aluno recomend\u00e1-la para a fam\u00edlia e terceiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o \u00edndice de ingresso por recomenda\u00e7\u00e3o de ex-alunos, est\u00e1 no pior grau hist\u00f3rico poss\u00edvel. Nem a oferta de bolsas e de descontos para os que\u00a0 ainda est\u00e3o cursando sua gradua\u00e7\u00e3o, como incentivo para indicarem a IES para os amigos e familiares, tem alterado essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o aluno \u00e9 prec\u00e1rio, do ponto de vista da bagagem de conhecimento, ent\u00e3o deveriam ser adotadas a\u00e7\u00f5es para corrigir esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, como essas a\u00e7\u00f5es significam custos extras, acabam n\u00e3o sendo implementadas. E tudo continua rumo \u00e0 mediocridade.<\/p>\n<p>Os alunos, com a aprova\u00e7\u00e3o facilitada, percebem que est\u00e3o sendo enganados.<\/p>\n<p>Quando v\u00e3o para o mercado de trabalho, e n\u00e3o conseguem se empregar, t\u00eam a certeza de que foram enganados. Outra prova de que os alunos n\u00e3o aprenderam, s\u00e3o os baix\u00edssimos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o, nos exames da OAB, dos Conselhos de Contabilidade, e outras provas com esse mesmo objetivo. O que fazem as IES,s? Tentam acabar com esses exames, quando deveriam ensinar seus alunos.<\/p>\n<p>Assim as pessoas v\u00e3o abandonando os cursos, e os que pretendiam ingressar desistem da ideia, porque se d\u00e3o conta de que n\u00e3o vale a pena, a gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 efetiva para o seu futuro profissional.<\/p>\n<p>O solu\u00e7\u00e3o desse quadro passa pelo enfrentamento do problema.<\/p>\n<p>Picaretar o ensino n\u00e3o resolve, como dito acima, s\u00f3 agrava o problema.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o aluno que a\u00ed est\u00e1.<\/p>\n<p>Se o aluno ingressante \u00e9 prec\u00e1rio, do ponto de vista do conhecimento, ent\u00e3o deve-se reconhecer isso, acolher esse aluno e trabalhar com aulas de refor\u00e7o, de nivelamento de fato, para que ele alcance as habilidades cognitivas necess\u00e1rias para aprender, cursar e concluir um curso superior.<\/p>\n<p>As IES&#8217;s que se ocuparam em corrigir, minimamente, essa precariedade dos alunos, t\u00eam reduzido significativamente o n\u00famero de abandonos de cursos, elevaram o n\u00edvel de empregabilidade dos egressos de seus cursos, melhoraram, e muito, o \u00edndice da avalia\u00e7\u00e3o dos alunos e o institucional, no ENADE; tornaram-se boas refer\u00eancias entre as institui\u00e7\u00f5es, elevando o n\u00famero de alunos interessados e ingressantes nos seus cursos.<\/p>\n<p>Trazer o aluno para um n\u00edvel m\u00ednimo de aprendizagem, para poder cursar a carreira escolhida, \u00e9 o que se espera de uma institui\u00e7\u00e3o de ensino, e \u00e9 efetivo no que se refere \u00e0 perman\u00eancia no curso do aluno pagante e gerador de receita para a IES.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es de nivelamento s\u00e3o muita mais baratas se comparadas com as perdas significativas de receitas causadas pelo abandono e desist\u00eancia, somada a perda de credibilidade\/confian\u00e7a causada pela facilita\u00e7\u00e3o nas avalia\u00e7\u00f5es e frouxid\u00e3o no controle de frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Edson F. Stein<\/p>\n<p>Professor no ensino superior privado, Mestre e Doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela UFPR.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que servem as institui\u00e7\u00f5es de ensino &#8211;\u00a0 escola, faculdades, universidades? Para ensinar, por \u00f3bvio. Mas quando n\u00e3o s\u00e3o capazes de ensinar, o que fazem? Embroma\u00e7\u00e3o, panaceias, para enganar alunos e professores. Sen\u00e3o, vejamos: Metodologias Ativas &#8211; Algu\u00e9m conhece alguma metodologia de ensino que n\u00e3o seja ativa? 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